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Açores: Um arquipélago sustentável a descobrir

Sabia que os Açores foram distinguidos como “Destino Turístico Sustentável”? É verdade. E é mais uma razão para uma visita… sustentável…

O que primeiro salta à vista é a beleza natural do arquipélago. Mas o que contribuiu para a certificação foi muito mais: foram as boas práticas, porque são essas que, afinal, fazem a diferença. E para que assim continue é preciso que cada visitante respeite a natureza, ao mesmo tempo que dela desfruta em pleno.

E como?

  • Evite usar o carro, utilize transportes públicos sempre que possível;
  • Descubra as ilhas de bicicleta ou a pé: todas elas oferecem trilhos pela natureza, de uma beleza incalculável;
  • Não deixe lixo pelo caminho: leve um saco para guardar as embalagens – seja de bebidas, seja de alimentos – e, quando chegar a uma localidade, deite-as no respetivo ecoponto; e, se pelo caminho, encontrar lixo, recolha-o e leve-o também;
  • É certo que caminhar dá sede, mas prefira garrafas reutilizáveis – assim, produz menos resíduos;
  • Se ficar num alojamento local ou num AirBnB, faça a reciclagem das suas embalagens: as sobras de alimentos para o lixo indiferenciado, tal como o que não é reciclável, e as embalagens para os ecopontos a que pertencem – papel no azul, plástico, metal e pacotes de bebidas no amarelo e vidro no verde;
  • E, independentemente do alojamento, poupe os recursos: desligue as luzes e feche as torneiras sempre que não sejam necessárias. Como em casa.

Com esta mão cheia de gestos sustentáveis em mente, convidamos agora a descobrir um pouco o que pode fazer em cada uma das nove ilhas:

  • Flores. Uma das paragens obrigatórias é o Poço do Ribeiro. A forma como todas as cascatas se encontram encosta abaixo é o que mais chama a atenção neste espaço ideal para relaxar e apreciar o silêncio. Outro local que não pode ficar de fora do roteiro é a Rocha dos Bordões. Os prismas basálticos, tão característicos da ilha, dão origem a um miradouro no qual pode contemplar a paisagem que o rodeia. Há mais um miradouro a não perder: o das Lagoas. Aí pode ver a Lagoa Comprida e a Lagoa Escura, ou, se preferir um pouco mais de aventura, pode iniciar o trilho que leva até ao Poço do Bacalhau, uma cascata que se precipita de 90 metros.
  • Corvo. Apesar de ser a mais pequena, tem muito para oferecer: e, se for um amante de pássaros, é mesmo um território a não perder! É que são várias as espécies que cruzam o oceano, devido às migrações, e param na ilha para descansar, tornando o Corvo um ótimo local para fazer birdwatching. A propósito de olhar, não pode deixar de subir até ao Miradouro do Caldeirão: é que daí pode observar a vasta depressão vulcânica que deu origem à ilha. Num dia com bom tempo é possível ver a superfície de várias lagoas, turfeiras e ilhotas. Se o tempo não estiver de feição, passeie pelas ruas da Vila Nova do Corvo, visite os moinhos de vento típicos da ilha, dê um saltinho ao Ecomuseu ou espreite a Casa do Barco Baleeiro.
  • Faial. Olhe para onde olhar, a paisagem é sempre verde. E se adora conhecer espaços abandonados, o Farol da Ribeirinha é o cenário perfeito:  está isolado num promontório sobre o mar, mas o acesso faz-se facilmente de carro. Siga depois para o miradouro da Espalamaca: guardado por uma cruz com 30 metros, dele avistam-se as outras ilhas do grupo central, isto é, Pico, S. Jorge e Graciosa. Desça até à Praia do Norte: o extenso areal virado para o ponto cardeal que lhe dá nome está ladeado por falésias, tornando-a muito procurada por surfistas.
  • Graciosa. É pequena, a mais plana do arquipélago e escassa em água – exceto a salgada, que a rodeia, claro. E são estas características que a tornam tão única, de tal forma que a UNESCO a classificou como Reserva Mundial da Biosfera. A origem é vulcânica, como as demais, e a Furna do Enxofre é a prova disso: constitui uma boa oportunidade para descer às entranhas da terra, e conhecer o que resta de um vulcão adormecido. Voltando à superfície, passe pelo Tanque do Atalho. Como a água é um recurso escasso, foi necessário inventar soluções para retê-la, o que explica os muitos almofarizes e tanques. O único visitável é este, chegando a fazer lembrar uma mesquita subterrânea.
  • Pico. Há muito mais a explorar nesta ilha do que subir ao cume da montanha mais alta de Portugal, se bem que o cone majestoso seja uma atração irresistível. Os campos de lava dominam, aliás, a paisagem. Na ilha a que chamam cinzenta, por isso mesmo, aconselhamos uma visita ao Museu do Vinho. É um bom pretexto para conhecer a história das vinhas e do vinho do Pico: afinal, a paisagem da cultura da vinha da ilha é Património da Humanidade. E aproveite para passear nos jardins, que contam com dragoeiros seculares da Macaronésia. Vale também a pena visitar as vinhas da Criação Velha, fazendo depois o trilho de oito quilómetros até ao mar.
  • São Jorge. É conhecida como “o paraíso das fajãs”. E é precisamente aí que recai a nossa primeira sugestão, mas antes impõe-se uma explicação: as fajãs são superfícies planas junto ao mar debruadas por arribas. Paragem obrigatória é a Fajã do Ouvidor, a preferida tanto dos turistas, como dos habitantes da ilha. E percebe-se porquê: é nela que se situa a Poça Simão Dias, uma fantástica piscina natural. Siga para o ponto mais ocidental da ilha, e encontre o Miradouro da Ponta dos Rosais: vai conseguir avistar o Pico, o Faial e, com sorte, a Graciosa.  Termine o dia em Velas, a capital da ilha, uma pequena e pitoresca vila construída em volta do porto.
  • Terceira. Chama-se Terceira, mas é a segunda em número de habitantes. E tem tudo para uma escapadinha da rotina. Arranje tempo para subir até à Serra do Cume: a vista vai fazê-lo pensar que está diante de uma manta de retalhos verde. A próxima paragem foi criada pela natureza há mais de três mil anos, com a ajuda da lava de um vulcão adormecido: o Algar do Carvão é o mais próximo que vai estar de uma “Viagem ao Centro da Terra”, pois pode descer a cerca de 100 metros de profundidade e observar estalactites únicas no mundo e uma lagoa subterrânea. No verão, as Piscinas Naturais de Biscoitos são obrigatórias: afinal, foram esculpidas entre encostas de lava.
  • São Miguel. O que nos diz de fugir da habitual Lagoa das Sete Cidades ou das plantações de ananases? Comece no Mercado da Graça: vai sentir-se a espreitar aa dispensa dos micaelenses, pois os produtos típicos abundam nas bancas. Daqui siga para a Ermida de Nossa Senhora das Virtudes, que parece saída de um conto de fadas com a sua arquitetura gótica. Situada na zona das Furnas, tem vista para o maior lago de água doce dos Açores. Aventure-se ainda por um dos muitos trilhos que há na ilha: o do Salto do Prego é uma boa opção – são seis quilómetros que levam até uma cascata semiescondida na floresta.
  • Santa Maria. Diz-se que é a ilha menos açoriana, e isso é visível no chamado “Deserto Vermelho” ou Barreiro da Faneca: são mais de 1500 hectares de uma paisagem invulgar no meio de tanto azul e verde. Imperdível é também a Cascata do Aveiro: caindo de uma altura superior a 100 metros, é acessível por um trilho que proporciona uma boa vista para os campos da ilha. Se experimentar fazer mergulho, talvez encontre o inofensivo tubarão branco nas águas cristalinas. É que a ilha é um verdadeiro santuário da vida marinha, graças à Reserva Natural de Formigas, ao Recife de Dollabarat ou à Baixa do Ambrósio.

O roteiro está feito! Faça as malas e parta à descoberta deste destino turístico sustentável. Mas não se esqueça: a única pegada que quer deixar é a dos seus pés pelos caminhos açorianos.