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Ágata Roquette: “É muito importante tentarmos reciclar tudo o que conseguirmos”

Ágata Roquette é nutricionista e autora de diversos livros sobre o tema. Não podia, pois, deixar de combater o desperdício alimentar. Mas também se diz “rigorosa” com a separação das embalagens.

“Combater vícios antigos e criar novos hábitos”, um dos princípios que defende. Aplicando ao ambiente, quais são os seus principais “vícios a combater” e os hábitos a adotar?
Ainda há certos produtos que compro que são embalados com demasiado plástico – tento evitar ao máximo comprá-los, mas nem sempre consigo. E só quando comecei a levar a reciclagem mais a sério é que me apercebi da quantidade absurda de plástico que trazemos para casa sem darmos conta.
Hábitos ecológicos a adotar imagino que sejam imensos, pois, apesar de ser uma pessoa atenta, ainda tenho muito que aprender. Se calhar, fazer dos banhos mais curtos uma regra cá em casa, lembrar-me de apagar sempre as luzes e desligar as tomadas dos aparelhos eletrónicos que não estou a utilizar.

Quais são os principais cuidados sustentáveis que tem na sua rotina diária?
Em casa fazemos reciclagem, e sou especialmente rigorosa com o plástico e também com óleos. Nos consultórios, também tento separar o lixo o máximo possível. Além disso, procuro comprar produtos frescos que sei que são cultivados perto da zona onde moro, ou, pelo menos, produzidos em Portugal. Quando vou às compras, levo sempre os sacos reutilizáveis comigo, até para a fruta e legumes. Na altura de preparar as refeições, tento usar o máximo de cada alimento, para evitar desperdícios, mas também aproveitar as propriedades nutritivas no total. Além disso, reduzi o consumo de proteína animal e de água engarrafada – tenho sempre comigo uma das reutilizáveis.

Há quanto tempo faz reciclagem?
Comecei a separar o lixo há muitos anos, mas reciclagem a sério, com todos os devidos cuidados e com todos os materiais que entram cá em casa, é algo mais recente. Ainda estou longe de ser perfeita.

Na hora de separar as embalagens ainda existem dúvidas?
Já quase não há, mas, por exemplo, fico sempre na dúvida sobre o que fazer com o papel gorduroso, ou que ainda tem restos de comida. E as embalagens em que não dá para separar o papel do plástico, como envelopes almofadados ou caixotes com restos de fita cola.

Qual é a importância que atribui à reciclagem?
Acho que é muito importante todos tentarmos, ao máximo, reciclar tudo o que conseguirmos. Não é uma coisa difícil nem demora muito tempo, e, se for feito
por muitos, tem um grande impacto no ambiente.

Considera que uma boa educação alimentar passa por uma alimentação sustentável?
Sem dúvida. Uma coisa que costumo dizer é que temos de voltar a cozinhar e a comer como as nossas mães e avós faziam. E isso significa deixar a comida processada, pré-cozinhada e os alimentos de produção industrial para voltar a hábitos que se perderam, como comer sopa, fruta e porções menores de proteínas – culpamos os açúcares e as gorduras pelo aumento de peso, mas esquecemo-nos de que um consumo elevado de proteínas, como o dos dias de hoje, também engorda. Significa comer os frescos da época, utilizar a totalidade dos alimentos, não desperdiçar comida, inventar com os restos.

Há alguma dica ou conselho que costume dar para evitar o desperdício alimentar?
Normalmente, recomendo que, sempre que possível, utilizem a totalidade dos alimentos ao cozinhar, para não perderem nenhum dos nutrientes. Se os legumes já estão demasiado maduros ou tocados, toca fazer sopa ou smoothies vegetais, com a fruta a mesma coisa, com o pão velho porque não fazer uma açorda ou ralar e guardar para outras coisas… E que sempre que sobra comida a reutilizem de alguma forma: omeletes, tartes, empadões, saladas… há uma lista imensa de pratos deliciosos, nutritivos e saudáveis que podem ser feitos.

Créditos Fotográficos: Charlotte Valade/Contraponto Editores