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Aldeia da Fonte: o alojamento que valoriza o território

Um banho de natureza com inspiração vulcânica, a Aldeia da Fonte, na Ilha açoriana do Pico, tornou-se um símbolo de sustentabilidade

A abertura, em 1996, serviu de exemplo. Era possível adquirir terrenos “completamente abandonados”, tomados pelo silvado e com os muros caídos, e construir um alojamento que recuperasse, organizasse e valorizasse esse território, sem o ferir.

Ergueram-se seis edifícios inspirados nas casas típicas da ilha açoriana do Pico, com a pedra basáltica, a madeira criptoméria e telha escura de barro, além do necessário reforço interior em betão, atendendo à atividade sísmica da zona. As casas debruçam-se nas falésias, com o oceano defronte. Jardins exuberantes e algo selvagens, como a natureza em estado puro. A densidade arbórea torna o conjunto quase impercetível… Compostas por 40 unidades de alojamento e com capacidade máxima de 96 camas, as casas causaram mínimo de impacto natural e visual, preservando espécies e as divisórias com muros de pedra. “Desenhámos um hotel para um sítio, não procurámos um sítio para o hotel”, fundamenta o proprietário, António Simas Santos.

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Circula-se entre plátanos, palmeiras, plantas de chá e café, bananeiras e um jardim de aromáticas. Faz-se o “Trilho do Mar” passeando bem perto das ondas, descansa-se na plataforma de madeira e mergulha-se no oceano ou na piscina tratada a sal. Estruturas minimalistas – a bem do ambiente – permitem usufruir deste “banho” de natureza e a torre de observação de cetáceos (com binóculos) recria a vigia tradicional. Para promover o bem-estar, disponibiliza-se uma sala Zen a preceito do ioga e tai chi, a reflexologia do “Caminho dos Pés Descalços”, e um centro de meditação em forma de pagode chinês, que utiliza materiais reciclados e reaproveita uma antiga antena.

A Aldeia da Fonte não tem ar condicionado. Dispõe de aquecimento central e todos os quartos têm ventoinha no teto para os dias mais quentes. O abastecimento hidroelétrico e o sistema de aquecimento (a gás) das águas funcionam autonomamente para cada casa. Cada uma tem a sua central, o que permite controlar os gastos. Pondera-se substituir os equipamentos a gás por caldeiras alimentadas por bombas de calor. Há muito tempo que neste hotel se utilizam lâmpadas LED, de baixo consumo, e se promove a separação de resíduos para reciclagem nos quartos e jardins.

Sempre que possível, opta-se por produtos locais (leite, manteiga, queijo, carne e peixe, entre outros) para abastecer o restaurante. O planeamento cuidadoso garante o “menor desperdício possível” e muitos resíduos orgânicos são reaproveitados para alimentar animais.

Caminho de Baixo, Lajes do Pico, Ilha do Pico, Açores. Tel.: 292679500