Recicla

Alexandra Balugas: “Se não superarmos o combate ao lixo, deixaremos de poder usufruir da natureza”.

Alexandra Balugas é autora do livro infantil “A Lixeira”, que narra a história de um rapaz que vive rodeado de lixo e se baseia numa experiência pessoal. No dia a dia, procura reduzir a sua pegada ecológica e encorajar os mais novos a fazê-lo também.

Porquê escrever um livro sobre reciclagem?
O que me levou a escrever um livro sobre a reciclagem foi ter participado como voluntária numa recolha de lixo na praia do Seixal, no início de 2019. Todos nós estamos habituados a observar lixo nas ruas. Mas, quando encontramos esse lixo concentrado na areia das praias, a nossa perspetiva sobre os nossos atos muda radicalmente. Naquele dia, conseguimos recolher bastante lixo e praticamente limpámos todo o areal. No entanto, o sentimento de satisfação para mim, durou pouco tempo, porque, quando regressei ao meu carro, percorri uma estrada paralela à praia, e vi que o cenário se repetia. A rua e o parque de estacionamento da estação do Seixal estavam cheios de lixo. Ao chegar à conclusão de que, aquele lixo, ao fim de horas ou dias, estaria novamente na praia, vi que o que tínhamos feito era pouco em relação a um problema tão grande. Alguns meses depois, inscrevi-me num curso de ilustração e alguns dos exercícios consistiam em desenharmos histórias sem pensarmos muito. O tema do lixo acabou por surgir em alguns desenhos. Por isso, para mim, fez sentido que o meu trabalho final fosse um livro, que ajudasse a despertar a consciência para este problema.

E a Alexandra, o que faz para tornar o seu dia a dia mais ecológico?
Os meus objetivos são melhorar a reciclagem que faço, consumir menos produtos de plástico, participar em recolhas de lixo, e contribuir para educação ambiental das gerações mais novas, através do meu livro. Ao nível da redução do consumo de plástico, alterei alguns dos meus consumos. Tenho uma garrafa de metal que comprei há cerca de dois anos, e atualmente praticamente deixei de usar garrafas de plástico; comecei a usar sabonete, em vez de gel de banho; substitui as molas de roupa de plástico por outras em madeira; comecei a usar pensos higiénicos de tecido em vez de plástico; reduzi o consumo de embalagens de peixe, ao comprar esses alimentos no mercado. Antes do coronavírus, tinha começado a utilizar sacos para a fruta de tecido, em vez de sacos de plástico. Ao nível de energia, à noite, desligo as extensões de tomadas.

Às vezes, estamos com uma pegada ecológica pesada e não temos consciência disso. Por isso, é necessário informar-nos e estarmos atentos aos nossos comportamentos.

Ao nível social, promovi no ano passado uma recolha de lixo nas ruas do Barreiro, mas teve pouca adesão. Este ano, participei numa recolha de lixo, na quinta do Braamcamp, no Barreiro.

Faz a reciclagem? Desde quando?
Faço reciclagem há cerca de 15 anos.

Qual é a importância que atribui à reciclagem?
Acho que a reciclagem poderá ser o primeiro passo no caminho das alterações de comportamento.

Na hora de separar as embalagens existem dúvidas?
Por vezes, surgem algumas dúvidas. Por exemplo, antes de ter participado na recolha de lixo na praia do Seixal, costumava pegar no caixote do lixo que tenho na casa de banho, separava os rolos de papel higiénico e colocava o resto do lixo no saco do lixo comum. Eu diria que, às vezes, estamos a cometer erros de reciclagem por força do hábito.

Tendo formação também na área das ciências, qual é a sua perceção relativamente à forma de como o lixo afeta a nossa saúde?
Acho que se não superarmos o combate ao lixo, deixaremos de poder usufruir da natureza, tal como ela existe, o que afetará a nossa saúde mental. Por outro lado, a nossa saúde física também poderá vir a ser afetada, através do consumo, de alimentos marinhos contaminados com fragmentos de plástico.