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As embalagens YPACK estão inseridas numa bioeconomia circular

O projeto YPACK criou embalagens que aproveitam desperdício alimentar, são biodegradáveis e compostáveis e prolongam a conservação dos alimentos. Este conceito, que está pronto para ser colocado no mercado, insere-se numa iniciativa europeia que tem vindo a ser desenvolvida ao longo dos últimos três anos.

Muitos dos produtos que adquirimos estão envolvidos em embalagens  de materiais que, se não forem reciclados ou recicláveis, são prejudiciais ao planeta. Com esta consciência ambiental em vista, a equipa do YPACK desenvolveu uma solução sustentável através da criação de dois tipos de “ecoembalagens”: bandejas compostáveis – por exemplo, para pizzas e lasanhas prontas a comer – e flow packs biodegradáveis – invólucros que, por norma, envolvem produtos como os chocolates.

Para criar estes materiais recorreu-se ao reaproveitamento de dois subprodutos da indústria alimentar, o soro de leite e a casca de amêndoa. Através do processo de fermentação de açúcares gerado por bactérias foi depois possível produzir um polihidrixialcanoato natural, que é o que constitui a génese deste tipo de embalagens.

O principal investigador do projeto em Portugal, do Centro de Engenharia Biológica, António Vicente, afirma que “chegar até aqui levou alguns anos de investigação”: “O YPACK pode ser um avanço importante nas nossas vidas, pois usam-se massivamente embalagens por todo o mundo, em imensos contextos, e estas devem ser sustentáveis, para salvaguardarmos o futuro”, comenta.

O processo de produção vai além do conceito de economia circular e insere-se numa bioeconomia circular, pois todos os componentes são biológicos. Ou seja, por um lado, reaproveita desperdícios como cascas de amêndoa e soro de leite, e, por outro, estas embalagens podem ser devolvidas ao ambiente, uma vez que, sendo biodegradáveis, se dissolvem ao fim de 50 dias expostas à água e ao dióxido de carbono, retribuindo ao solo alimento para as bactérias e funcionando como fertilizante natural.

O YPACK conta com diversos participantes portugueses, como o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia, a Universidade do Minho, a Universidade Nova de Lisboa e a Sonae MC e foi recentemente distinguido pelo Radar da Inovação da Comissão Europeia, que identifica ideias de elevado potencial, como sendo um protótipo “notável” e “pronto” para ser inserido no mercado.