Recicla

Desperdício alimentar? Oiça quatro vozes que influenciam

O que têm Isabel Silva, Larissa Abbud, Catarina Lopes e Eunice Maia em comum? São quatro ativistas da sustentabilidade alimentar, que fazem do combate ao desperdício uma causa. Saiba como.

Estima-se que, em Portugal, cada pessoa desperdice, anualmente, 96,8 quilos de alimentos anualmente, o equivalente a 17% da produção nacional. Um número que até pode pecar por defeito, mas que está ao alcance de todos diminuir. E como? Alterando hábitos de consumo.

Foi o que fizeram as quatro figuras públicas ouvidas pela RECICLA e que partilham alguns dos gestos com que combatem o desperdício alimentar no seu quotidiano:

Isabel Silva, apresentadora de televisão e também autora do site dobem, começa por deixar uma convicção: “Tudo o que fazemos tem um impacto na nossa saúde e na saúde do planeta”. Consciente de que “todos os gestos contam”, afirma também que antecipar é a palavra chave na hora de ir às compras: “Saber de antemão o que temos em casa e o que realmente precisamos é o primeiro passo para evitar desperdício”, refere. Entende que, “tal como na reciclagem”, se deve “dar sempre uma segunda vida” ao que se utiliza ou se consome. E afirma que é importante comprar a dose certa e, sempre que sobre, reaproveitar. É o que procura fazer com os legumes, que transforma em sopa, e com a fruta que, por vezes, congela. “Temos de ter consciência de que os recursos naturais se esgotam e, por isso, é tão importante valorizar o que é património natural”, conclui.

Isabel Silva

Larissa Abbud é chef de cozinha e considera-se “uma acumuladora de cascas”. Há mais de dez anos, no Brasil, enfrentou uma situação de descarte de fruta “feia” e diz que, desde então, reaproveita tudo e procura fazer “compras muito conscientes”. Por trabalhar em cozinha, explica que está “sempre atenta ao frigorifico e à despensa”: “No momento de arrumar as compras, o que chega vai para trás e o que já lá estava vem para a frente. Isto é uma forma de usarmos os produtos que já temos há mais tempo sem os deixar estragar”. Na sua empresa de catering, implementou um menu circular que consiste no aproveitamento de um alimento em vários pratos, faz workshops onde ensina a aproveitar na totalidade os alimentos, assim como partilha receitas, quer nas suas newsletters quer nas suas redes sociais.

Larissa Abbud

A nutricionista Catarina Lopes diz que “sempre teve uma consciência muito grande em relação à alimentação e em como torná-la o mais sustentável possível”. Habituada assim “desde que se conhece”, deitar comida fora nunca foi opção: “Como compro muitas coisas a granel e de cabazes, só peço as quantidades que consumo”, concretiza. Além disso, procura reinventar as suas refeições e conservar os alimentos da forma mais correta. “Por exemplo, gosto muito de ervas aromáticas, mas estragam-se muito se não existir o cuidado de as conservar, por isso, costumo lavar e congelar ou deixo-as dentro de um vasinho com água”, explica.  Aos seus pacientes, sugere que optem “pelo local e por produtos da época” e dá diversas sugestões de como aproveitar legumes que se estão a estragar para sopas ou para caldos.

Catarina Lopes

Eunice Maia é fundadora das lojas Maria Granel e despertou para esta questão enquanto estudava o mercado e o posicionamento do seu negócio. “À medida que íamos encontrando e tendo acesso aos números do desperdício alimentar tivemos o primeiro ‘abanão’”, afirma. Assim, quem entra nas suas mercearias recebe uma advertência: que não haja desperdício. É uma “atuação pedagógica”, comenta. “Temos inscrições nas paredes a mostrar às pessoas que este é um conceito que as ajuda a consumir de forma mais responsável, mais planificada, porque obriga a pensar na quantidade de que verdadeiramente precisam”, acrescenta. Aqui, o desperdício é “residual”, porque, como se trata de mercearia seca, os prazos de validade são bastante grandes. Mas, quando acontece, distribui-se o excedente pela equipa. As lojas colaboram também com a Refood, de forma a evitar ao máximo que os produtos se estraguem.    

Eunice Maia

Deixe-se inspirar. Afinal, custa muito pouco adotar boas práticas de sustentabilidade alimentar.