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Em tempos de isolamento, a poluição dá tréguas

Com menos carros nas estradas e menos aviões nos céus, os níveis de poluição estão a baixar. É uma tendência global e Portugal não é exceção.

São muitos os indicadores que apontam para uma descida assinalável nos índices de dióxido de azoto (NO2), em função da diminuição da atividade económica e, por consequência, da mobilidade das pessoas. Estamos a falar de um gás que resulta da queima de combustíveis fosseis, usados nos motores automóveis e na indústria, e que constitui um fator de risco para doenças respiratórias.

Dados que chegam do Laboratório de Observação da Terra do Centro Internacional de Investigação do Atlântico, o Air Centre, indicam que, entre 10 e 28 de março, a redução das emissões de NO2 chegou aos 80% em alguns locais de Lisboa e aos 60% no Porto.

A mesma análise do laboratório, sediado nos Açores, mostra que a evolução da qualidade do ar foi notória logo a partir de dia 10, quando foi decidido o encerramento de equipamentos culturais e desportivos.

Esta tendência é confirmada pela Agência Portuguesa do Ambiente, segundo a qual, desde 18 de março, dia da primeira declaração do estado de emergência, há cidades com quebras de 50% na emissão daquele gás. A informação é proveniente das 64 estações que medem a qualidade do ar em todo o País e, comparando a semana anterior ao estado de emergência com a semana posterior, revela que Lisboa, Porto e Aveiro apresentam descidas entre os 30 e os 40%, enquanto Coimbra e Portimão exibem reduções na ordem dos 50%.

Este é um fenómeno partilhado com outras cidades europeias. A Agência Europeia do Ambiente usou como referência a semana de 16 a 22 de março, em que as medidas de confinamento foram adotadas na maioria dos países. E mostra que em Barcelona os níveis de dióxido de azoto sofreram uma queda de 55% face à mesma semana de 2019. Em Madrid, a redução foi de 41%. E em Lisboa, a presença deste gás no ar caiu 51% na comparação entre os dois períodos.

São resultados em linha com os obtidos pela Agência Espacial Europeia a partir das medições do satélite Sentinel-5p: entre 13 de março e 13 de abril, as concentrações de dióxido de azoto no ar baixaram 54% em Paris, face ao mesmo período do ano passado; em Roma a descida foi de 49% e em Madrid situou-se nos 48%. Não há cidades portuguesas monitorizadas, mas estes dados são compatíveis com os que se conhecem a nível nacional.