Recicla

Inteligência artificial ajuda a reciclar

Chama-se RoCycle, tem sentido de tato, e foi criado para separar resíduos urbanos com menos custos, ajudando no processo de reciclagem

Papel, metal ou plástico? Basta um toque para o RoCycle entrar em ação. Dotado de uns sensores táteis que lhe permitem distinguir, pela rigidez, estes três materiais, o robô sabe de imediato o que tem em mãos e faz a devida divisão com 85% de precisão em objetos parados ou 63% no caso de objetos em movimento num tapete rolante. O protótipo nasceu no MIT CASAIL, um laboratório norte-americano de robótica e inteligência artificial.

O RoCycle baseia-se numas “mãos” construídas com um conjunto de sensores, compatíveis com qualquer braço robótico, que detetam o tamanho de um objeto com uma precisão de até 30% e informa sobre a diferença entre objetos “duros” e “macios” com 78% de precisão, garantem os seus criadores. “A pele sensorizada do nosso robô fornece feedback tátil que permite diferenciar entre uma ampla gama de objetos, do rígido ao mole”, diz Daniela Rus, do MIT. O seu principal erro está em identificar latas de metal cobertas de papel, o que a equipa de cientistas diz que poderá ser melhorado adicionando mais sensores ao longo da superfície de contacto.

Para já, a intenção do laboratório é mostrar que é possível reduzir o custo da reciclagem, minorar o efeito de contaminação que este trabalho pode acarretar e incentivar mais países a criarem os seus próprios programas de reciclagem. Segundo a Organização das Nações Unidas, o mundo produz anualmente dois mil milhões de toneladas de resíduos urbanos e só uma parte é reciclada.

Como próximo passo, os cientistas planeiam desenvolver o sistema RoCycle para que ele possa combinar dados táteis com dados de vídeo através da instalação de câmaras, o que permitiria melhorar ainda mais a sua precisão na diferenciação dos diferentes tipos de materiais.

Esta pode ser uma solução de futuro para a separação de resíduos. Os principais tipos de máquinas dos centros de reciclagem incluem apenas separadores óticos que usam diferentes comprimentos de onda para distinguir os materiais, o que não é suficientemente eficaz. De facto, tem-se revelado surpreendentemente difícil desenvolver máquinas que possam distinguir entre papel, plástico e metal, o que mostra o quanto é ainda importante o trabalho humano.

Para ver o RoCycle em ação, clique aqui.