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Joana Schenke: “Todos devem reciclar. É um dever cívico”

Pratica bodyboard desde os 13 anos e é campeã nacional pela sexta vez consecutiva. Natural do Algarve, Joana Schenke cresceu ligada à natureza, pelo que procura protegê-la com os pequenos gestos do dia a dia.

Desde sempre esteve ligada ao mar e à natureza, mas quando despertou para a problemática da poluição?
Eu cresci num ambiente muito natural. A minha mãe também sempre teve uma visão muito amiga do ambiente e eu cresci com esses valores; lembro-me de que em casa tivemos sempre esses cuidados, não só com as embalagens como com o tipo de alimentos que comprávamos. Depois, nos últimos anos, comecei a ver cada vez mais lixo na praia e, à medida que, pelo mundo inteiro, se começou a falar mais desta questão do plástico no oceano, comecei a ter a noção dos números e a ver o resultado na “minha” praia.

Quais são as práticas mais sustentáveis que adota diariamente?
Eu procuro reduzir na compra de embalagens. Vejo o que é fundamental para mim e aquilo de que não preciso tanto, tento reduzir ao máximo o consumo. Por exemplo, legumes e fruta tento comprar no mercado, porque, assim, consigo levar o meu saco, e vir para casa sem nenhuma embalagem. Também gosto de levar água para a praia numa garrafa reutilizável. No dia a dia, este tipo de coisas faz muito efeito.

Separa as embalagens para reciclagem? Desde quando?
Sim, claro. Acho que sempre fiz. Em casa da minha mãe, quando era miúda, fazíamos sempre a separação das embalagens e do lixo orgânico, que ia para o terreno. Desde que vivo sozinha faço reciclagem de tudo também e já assim é há muitos anos.

Qual é a importância que a reciclagem tem para si?
A reciclagem é fundamental. Acho que é um dever de todos. Todos os consumidores devem reciclar aquilo que compram. Acho que é um dever cívico, sinceramente. A reciclagem tem um papel fundamental na resolução deste problema da poluição e do excesso de plástico no oceano. Apesar de não resolver por completo, porque há coisas que não podem ser recicladas, é um dos passos fundamentais, além de reduzir e reutilizar.

Na hora de reciclar as embalagens, tem dúvidas?
Para ser sincera tenho sim. Mesmo já estando mais do que habituada a reciclar, há momentos em que penso ‘isto é para o papel ou para o plástico?’. Isto acontece-me principalmente quando são embalagens que têm os dois materiais. Por exemplo, aqueles sacos do supermercado que são de papel e de plástico.

O bodyboard e a sustentabilidade estão sempre de mãos dadas?
Nem sempre. A maior parte dos praticantes e todos os amantes do mar têm uma grande sensibilidade à sua proteção. Mas o material de bodyboard, as pranchas, os fatos, os pés de pato, não são propriamente sustentáveis. Não são recicláveis.

Que cuidados com o mar devem ter os praticantes deste tipo de modalidades?
Proteger a praia começa dentro de casa. O que fazemos fora da praia vai ter impacto no final. Portanto, todos os pequenos gestos do dia a dia contam. Na praia, ainda vejo muitas beatas na areia, o que é completamente inadmissível. Também vejo os parques de estacionamento muito sujos, com plásticos e agora, mais recentemente, com máscaras… Ou seja, acho que temos de ter muito mais cuidado quando visitamos um sítio para não deixar nenhum rasto e quando vemos lixo devemos apanhar, mesmo que não seja nosso. Isso é algo que qualquer pessoa pode fazer. Se todos o fizermos, já estamos a limpar muito.

Com o projeto “Schenker School Tour”, em que vai às escolas falar com os mais novos, qual é a principal mensagem que pretende transmitir?
É uma iniciativa do Oceanário de Lisboa e da Fundação Oceano Azul. A mensagem é muito simples; dou dicas do dia a dia, mas a maior parte dos jovens já sabe, é uma mensagem que já conhecem, o que falha, às vezes, é fazer. O que eu tento explicar é que quando fazem uma coisa bem feita eles vão sentir-se melhores enquanto seres humanos. Podem ter orgulho neles próprios por fazerem a coisa certa e protegerem o ambiente que é deles. É inspirá-los a agir. Eles já sabem o que é preciso fazer, é preciso é que façam, que sejam proativos entre os familiares e amigos e que não tenham medo de ser os primeiros a fazer uma coisa bem feita.