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Leonor Poeiras: “Ser sustentável é um modo de vida”

A apresentadora da TVI Leonor Poeiras partilha os seus hábitos sustentáveis no blogue “Oficina Poeiras”.  Além disso, é embaixadora do World Wide Fund for Nature (WWF), em Portugal, e diz que a sustentabilidade é “uma forma de estar na vida”. 

Em casa, faz a separação das embalagens? Desde quando?
Sim. Já em casa dos meus pais separávamos o vidro, o plástico e o cartão. O resto ia tudo para o mesmo sítio. Atualmente, eu separo da mesma forma e também o lixo orgânico, para fazer compostagem.

Quando começou a ganhar maiores preocupações com a sustentabilidade e o ambiente?
Acho que desde sempre, porque sempre estive muito ligada à natureza. Ambos os meus pais são do campo e o ambiente sempre foi uma questão para mim. A sustentabilidade também, mesmo como forma de estar na vida.

Quais são os principais hábitos de sustentabilidade que adota no dia a dia?
Faço compostagem. Tenho um pátio, atrás do meu apartamento, onde planto e semeio algumas coisas e é lá que faço compostagem. Há um ano ou dois, fiz um workshop da Câmara Municipal de Lisboa para aprender a fazer compostagem e foi de lá que trouxe um compostor. Outros hábitos de sustentabilidade passam muito por, quando estou no campo, trocar serviços e bens ao invés de pagar.

Durante o período de distanciamento social tem conseguido manter os seus hábitos de sustentabilidade, e de reciclabilidade?
A minha vida mantém-se igual. Em relação à reciclagem, na altura do estado de emergência, foi-nos pedido que guardássemos em casa tudo aquilo que necessitávamos de pôr nos ecopontos e eu fiz isso. Aliás, ainda tenho aqui três sacos que tenho de ir colocar no ecoponto, porque a recolha já foi retomada. Ainda em relação à sustentabilidade, nunca desperdiço comida. Sempre tive esse cuidado e agora mais do que nunca, para evitar ir ao supermercado mais vezes. Mesmo que sobre pouco eu guardo e dá sempre para fazer no dia a seguir, uma omelete, um empadão de legumes, ou algo do género.

Incutiu as preocupações ambientais ao seu filho? Foi fácil?
Não, na verdade nunca foi uma lição que lhe dei. É um modo de estar na vida. Ele também passa muito tempo ao ar livre na natureza, como eu na minha infância e, portanto, é o nosso modo de estar na vida: há, de facto, e sempre houve, essas preocupações ambientais. Posso até dizer que ele foi dos que fez ferozmente manifestações à sexta-feira. No ano passado, com a Greta [Thunberg], isso aconteceu muito, ele era um dos que queria sempre ir com os seus cartazes. Portanto, de uma forma orgânica e espontânea, ele está a crescer dessa forma.

Enquanto apresentadora de televisão, sente que consegue, de algum modo, incutir ou influenciar os telespectadores a estas práticas mais sustentáveis?
Não é uma coisa que eu faça propositadamente, mas acho que, enquanto apresentadora, falo bastante sobre os meus dias, a minha vida, por onde andei, o que andei a fazer e, de uma forma espontânea, também acabo por partilhar esses momentos; portanto, dessa forma, sim, poderei influenciar quem me vê.  Nos últimos tempos, por ser embaixadora da WWF, consegui levar a alguns dos programas da televisão que faço essas temáticas. Lembro-me de que, há pouco tempo, tivemos uma conversa muito interessante não só com a WWF, com representantes em estúdio, como também com a chef Tia Cátia. Foi uma conversa muito interessante, onde falámos da pesca sustentável e nos cuidados que o consumidor tem de ter quando compra peixe. Porque ser sustentável e ecológico não é apenas fazer reciclagem, é um modo de estar na vida e que implica dedicação. É preciso percebermos o que estamos a comprar, e é preciso percebermos, por exemplo, que há peixe que não deveremos comprar. O consumo tem de ser sazonal. É com muito orgulho que sou embaixadora destas causas, de forma a proteger o ambiente e a vida selvagem.