Recicla

O que é nacional é bom… e sustentável!

Que melhor dia para lembrar o que os portugueses fazem bem, do que o Dia de Portugal? Pois é! E em matéria de sustentabilidade há muito para celebrar.

O que é nacional é bom. Era assim que proclamava uma campanha publicitária e com sucesso, porque a frase ficou no ouvido. E há razões para isso. Muitos são os produtos made in Portugal que dão cartas no estrangeiro – basta pensar no vinho, no azeite, no calçado e nos têxteis, mas há mais, muito mais.

E, cada vez mais, as marcas nacionais estão apostadas em reduzir a sua pegada ambiental. Para isso, inovam para a sustentabilidade, reutilizando e reciclando matérias-primas, ao mesmo tempo que investem em processos e recursos mais ecológicos.  

Mas, já lá vamos.

Primeiro, é preciso dizer que, se há coisas que os portugueses fazem bem, uma delas é reciclar. Ora recorde os mais recentes números divulgados pela Sociedade Ponto Verde: o ano passado, Portugal reciclou mais 10% do que no ano anterior. É ou não é um bom resultado? Se lhe dissermos que, no total, foram encaminhadas para reciclagem mais de 388 mil toneladas de resíduos de embalagens já não tem dúvidas, pois não? E se lhe dissermos ainda que, só nos primeiros cinco meses deste ano, já foram recicladas, pela Sociedade Ponto Verde, 130 mil toneladas de embalagens provenientes da recolha seletiva, o equivalente ao peso de 430 aviões?

Podemos fazer mais e melhor? Claro que sim! Afinal, as metas são ambiciosas. E para ajudar a alcançá-las foi criada uma nova iconografia, que vai tornar a separação das embalagens e o encaminhamento para reciclagem ainda mais fácil: os símbolos são mais claros e as mensagens mais objetivas. É só procurá-los nas embalagens e colocar cada uma no ecoponto certo.

Voltemos agora às marcas portuguesas que estão a deixar uma marca positiva no ambiente:

  • A Fapil está a converter plásticos recolhidos nos oceanos em acessórios de limpeza e arrumação doméstica. Pode aproveitar a ideia e utilizar alguns dos contentores para organizar o seu próprio ecoponto: basta colar, em cada um, um rótulo com a cor que corresponde a cada tipo de embalagens.
  • A Circular Wear quer acabar com o consumo desenfreado de vestuário e com o desperdício inerente e propõe que se troquem peças de roupa. É uma boa maneira de renovar o guarda-roupa e proteger o ambiente.
  • A Lemon Jelly também quer pôr fim ao desperdício e criou uns botins reciclados e recicláveis. Fica a ideia para o regresso dos dias mais frescos.
  • A Verney coloca-nos nos pés calçado vegan à base de materiais reciclados, como garrafas de plástico e roupas. E aqui já há sandálias, para os dias quentes.
  • A Tailored Tile produz azulejos, mas não são azulejos como os outros: são feitos à base de plástico que sobra da produção industrial.
  • O Continente tem um site só com conteúdos informativos e pedagógicos sobre plástico: aqui, são esclarecidas dúvidas e partilhadas boas práticas. Uma leitura que se recomenda.

Todos estes exemplos têm um rosto por trás. Mas há rostos que são ainda mais visíveis, na defesa desta causa chamada sustentabilidade. Rostos portugueses, claro:

  • Ana Milhazes quer inspirar para uma vida sem resíduos, o que faz no seu blogue “Ana, Go Slowly” e no livro “Vida, Lixo Zero”.
  • O chef João Rodrigues leva a sustentabilidade na cozinha muito a sério: afinal, é dele o projeto Matéria, que promove produtos locais e sazonais.
  • A atriz Anabela Teixeira quis uma vida mais próxima da natureza, que dá a conhecer no blogue “Voltar à terra”.
  • Catarina F. P. Barreiros tenta viver uma vida com o mínimo de desperdício, o que explica o seu projeto “Do Zero”.
  • O artista de rua Bordalo II passa a mensagem, transformando lixo em obras de arte.
  • A apresentadora de televisão Isabel Silva acaba de lançar a revista dobem: o nome já diz tudo, ou quase, mas são leituras que visam inspirar para  uma vida saudável e sustentável.

Os exemplos podiam continuar. Há outros mais anónimos, como os movimentos de voluntários que, a cada verão, recolhem lixo nos areais e contribuem para que todos possam desfrutar das praias.  A Brigada do Mar é um deles, a Ocean Hope e a Litter Zero são outras: inspire-se, junte os amigos e pense que também pode ajudar a fazer a diferença.

Os bons exemplos também têm música à mistura e chegam dos festivais de verão. Este ano, estão em pausa, mas nunca é demais recordar os passos que têm sido dados para serem cada vez mais “verdes”: a última edição do Rock in Rio Lisboa foi em 2018 e, entre vidro, papel e carão, metal e plástico, foi possível recolher 53.920 quilos de resíduos de embalagens. Um recorde difícil de bater, mas o NOS Alive também está de parabéns, com mais de 25.300 quilos, na soma de 2018 e 2019. E o saldo do Super Bock Super Rock é igualmente positivo:  8.145 quilos, o ano passado.

Uma coisa é certa: em bom português se recicla e bem! Mas há que continuar e reciclar mais e melhor.