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Patrícia Mamona: “A reciclagem já está entranhada no meu estilo de vida”

Patrícia Mamona é atleta de Triplo Salto e representou Portugal nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. Leva a vida saudável a peito e, por isso, diz que a reciclagem é dos primeiros passos a dar para se ser sustentável.

Como atleta, leva, certamente, uma vida saudável. Quais são os seus principais cuidados a este nível?
Hoje posso dizer que levo um estilo de vida saudável porque nem sempre foi assim, mas desde que adquiri este tipo de vida tornou-se claro que a minha performance a nível atlético melhorou e muito. Aprendi a comer melhor. Nós, os atletas de alta competição, somos como um Ferrari: precisamos de ter o melhor combustível para conseguirmos uma boa performance. E o combustível é a nossa nutrição.  Precisamos dos nutrientes para treinar em alta intensidade, mas também precisamos de estar saudáveis. Outro cuidado que também tive foi prestar mais atenção à minha qualidade de sono. O descanso faz parte do treino, não só para o atleta de alta competição, mas também para as pessoas no geral. Depois, não esquecer a parte mental, isto porque, em momentos grandes, como os jogos olímpicos, por muito que se tenha treinado, se a mentalidade não estiver preparada para responder a esse tipo de emoções, esse tipo de pressão, o mais provável é que a prova não corra tão bem. As pessoas, em geral, pensam muito na saúde física e esquecem a saúde mental, que é bastante importante.

A nível de sustentabilidade, quais são as suas preocupações?
Em termos de sustentabilidade, as minhas preocupações são três: uma é a reciclagem. Eu tenho ecopontos e faço questão de meter as embalagens nos respetivos contentores. É daquelas coisas que já está entranhada no meu estilo de vida. Outra coisa que eu tenho feito é quando vou às compras – antes comprava sempre sacos de plástico e agora faço sempre questão e levo sempre comigo sacos de tecido, para evitar estar a consumir mais plástico e a poluir mais o nosso planeta. Por fim, também mudei aqueles banhos longos, em que se gasta muita água sem necessidade.

Quando viaja para competições, tem cuidados particulares neste domínio?
Sim. Por exemplo, levo sempre uma garrafa de água vazia. Evito comprar águas nas viagens para não ser necessário utilizar mais garrafas de plástico. Com uma garrafa eu posso ter água em qualquer lado, basta encher.

Como olha para o papel da reciclagem na promoção de um planeta mais sustentável?
Acho que é um dos primeiros passos que devemos fazer. Lembro-me que, desde muito nova, tínhamos até cantigas que nos ensinavam a reciclar e é a primeira coisa que podemos fazer para ter um planeta mais sustentável. O facto de reciclar e dar uso àquilo que nós pensávamos que já não servia é bastante importante, porque escusamos de estar a contribuir para o corte de mais árvores ou para mais plásticos nos oceanos. Acho que é um bom início, uma boa promoção de um mundo mais sustentável.

Agora que as competições estão suspensas, como se tem mantido em forma?
Eu tenho treinado de forma muito parecida, embora aquilo que é mais importante – correr na pista e saltar – não possa fazer. Criei um pequeno ginásio na minha garagem, onde consigo manter muitos dos meus treinos de força. Faço também muitos treinos na minha varanda, de preparação física geral. Isto para que, quando a quarentena acabar e voltar tudo à normalidade, não haja assim um grande choque a nível de forma e para que esteja mais preparada para conseguir voltar a saltar com grandes impactos.

E que sugestões deixa para quem está em casa?
Há muita coisa que se pode fazer sem muito espaço ou sem equipamento. Acho que é bastante importante, pelo menos uma vez por dia, qualquer pessoa ter dez ou 20 minutos de atividade física. É uma forma também de aliviar o stress, de nos manter ativos e de estarmos mais saudáveis. Recomendo, por exemplo, dançar, que é uma coisa muito divertida de se fazer. Mas o essencial é que não se fique no sofá 24 horas e que haja algum tipo de atividade física.