Recicla

Sabe qual é o impacto ambiental das suas roupas?

A resposta à pergunta que faz o título deste artigo é, muito provavelmente, negativa. Mas pode mudar, porque já há uma ferramenta que permite fazer essas contas.

A Farfetch, uma empresa portuguesa dedicada à comercialização online de moda de luxo, criou o Fashion Footprint, um mecanismo, semelhante a uma calculadora, que revela, em números e comparações, o que a produção de cada tipo de têxtil provoca.

Por exemplo, sabe quantas banheiras de hidromassagem são precisas encher para produzir um quilograma de algodão? 100. Mas, se estivermos a falar do mesmo peso em couro, essa quantidade aumenta para 171 banheiras, pois são necessários 17.093 litros de água.
Ainda assim, a seda é o material que mais água gasta. Para gerar um quilo são utilizados 58.153 litros, o equivalente a 582 banheiras cheias.

Já no que toca à quantidade de CO2 emitido, a lã é a matéria-prima mais poluente. Por um quilo produzido são emitidos 46 de dióxido de carbono, o mesmo que conduzir 184 quilómetros, a distância aproximada de Lisboa a Beja.
Também o algodão liberta 28 quilos deste gás, o equivalente a conduzir de carro de Sagres até Faro. O poliéster e o nylon libertam quantidades idênticas, 21 e 24 quilos, respetivamente.

Nestas contas, materiais como couro e linho têm uma pegada carbónica mais baixa. Ainda assim, para a sua produção são emitidos 19 e 15 quilogramas de CO2 para a atmosfera, o mesmo que conduzir 76 e 60 quilómetros de carro.

Com estes dados presentes, a marca procura alertar os consumidores e propõe opções mais sustentáveis como o couro e a seda veganos, o algodão orgânico, ou poliéster, linho e nylon reciclados.

Este mecanismo da Farfetch consegue também estimar quanto se poupa em termos ambientais por cada peça comprada em segunda mão.

Por exemplo, ao adquirir cinco vestidos já utilizados são poupados cinco metros cúbicos de água e quatro quilos de resíduos e o equivalente a uma viagem de avião entre Londres e Paris.

Com este mecanismo, a empresa de origem portuguesa procura incentivar a compras mais conscientes, pois acredita que o futuro “começa com uma escolha”: manter o status quo “ou optar por encontrar uma maneira de tornar a moda mais sustentável”.