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Susana Caseiro: “Reciclar é das ações mais sustentáveis e toda a gente devia adotar”

Susana Caseiro é uma “apaixonada” pela jardinagem. Em casa, já ultrapassou as 50 espécies cultivadas e é no seu blogue, Cultivos da Caseiro, que partilha as suas práticas: “Quando produzimos os nossos alimentos torna-se mais fácil diminuir a pegada ecológica”.

A agricultura pode associar-se a um grande consumo de água. De que forma é que uma horta biológica pode fazer a diferença?
A agricultura intensiva tem um grande impacto, não apenas no consumo de água, mas também na emissão de CO2, tanto na parte da produção como depois, na chegada dos alimentos até nós. Portanto, quando, há cerca de 15 anos, comecei a trabalhar esta temática, apesar de já ser apaixonada pelo cultivo e jardinagem, uma das coisas que eu realçava, mais do que ter o benefício de poupar dinheiro por não ter de ir comprar, por exemplo, a salsa ao supermercado; é a comodidade de não termos de nos deslocar. O que acontece a muitas pessoas é quererem fazer uma receita e falta-lhes um ingrediente. Para mim, é mesmo prático ter uns verdes na horta para a sopa. Além da comodidade, esta prática está associada à poupança para o ambiente. Quando nós produzimos os nossos alimentos torna-se mais fácil diminuir a pegada ecológica, porque não estamos a pegar no carro para ir comprar aquele alimento que é necessário. Portanto, quem tem uma horta, mesmo que pequena, mesmo que só colha um pé de salsa, vai ter sempre um impacto positivo na redução da sua pegada ecológica. 

Diz que um jardim comestível é uma maneira de tornar o planeta mais saudável.  Em termos de sustentabilidade quais considera serem os principais ingredientes que o planeta deve consumir?
Em termos de sustentabilidade, os experts dizem que nós devemos consumir mais alimentos de origem vegetal, devemos ter uma alimentação mais à base de plantas, de hortícolas, de legumes.  Quando eu digo que um “jardim comestível contribui para um mundo melhor” também é porque fica bonito na paisagem. Numa cidade é preciso ter a consciência de que para cultivarmos mais hortas temos de as integrar com algum equilíbrio paisagístico. Não se idealiza colocar no jardim de casa uma horta no sentido estrito. Mas eu tenho um jardim comestível. Eu cultivo tomates, pepinos, beringelas e alfaces e misturo isso no meio das plantas ornamentais, no meio de imensas flores. Gosto de dizer que tenho um jardim comestível, mais do que dizer que tenho uma horta, porque eu misturo os dois: colho tomates no jardim e colho flores na horta.

Quais são os principais hábitos sustentáveis que adota no seu dia a dia?
Uma das ações que considero sustentável é a vermicompostagem e a produção dos nossos próprios alimentos, pois beneficia o ambiente. Depois, o facto de confecionar as refeições em casa, o não optar por comprar comida já feita. Algumas outras coisas passam por armazenar ervas para fazer infusões secas ou para fazer alguns produtos de higiene, quer para nós quer para limpeza da casa. Mas quero fazer mais, é um caminho que tem de continuar a ser feito.

Faz a separação das embalagens? Há quanto tempo?
Faço a reciclagem há imensos anos.

Que importância atribui à reciclagem?
Penso que seja um dos melhores métodos ou ações sustentáveis, que toda a gente devia adotar, porque poder dar uma segunda vida aos materiais cria um impacto positivo. Mas há uma parte nesta questão da separação dos resíduos que é a reciclagem dos resíduos orgânicos, nomeadamente do lixo doméstico, que eu já há muitos anos comecei a fazer. Comecei por fazer compostagem e, como disse, agora faço vermicompostagem. Com a compostagem, percebi que reduzia em mais de 50% o lixo doméstico que depois enviava para aterro e, a meu ver, isso tem um grande impacto, porque, se todas as casas diminuíssem o seu lixo doméstico para metade, teríamos um resultado muito positivo em termos de ambiente.

Há mais de 15 anos que pratica agricultura biológica. Que dicas costuma dar para quem quer começar?
Primeiro que siga o Cantinho da Caseiro (risos). Estou a dizer isto porque eu partilho lá muitos conteúdos e artigos de passo a passo de como começar, o que escolher, e por aí… Mas, um primeiro conselho é começar devagar, pelas ervas aromáticas, porque são bastante versáteis e muito fáceis de manter. Depois, nada melhor do que a experiência para irem aumentado e, de acordo com o espaço disponível e com o gosto gastronómico, ir inserindo os outros cultivos. Acima de tudo, é ter vontade de o fazer.