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Terre de Femmes premeia mulheres que lutam pelo ambiente

Há dez anos que o Prémio Terre de Femmes destaca o trabalho de mulheres portuguesas que dedicam os seus dias a criar um mundo melhor.

Quando em 2013 decidiu abrir aquela que foi a primeira mercearia a granel do país, Eunice Maia estava longe de pensar que a sua veia empreendedora iria mudar a maneira como o país encara a forma de ir às compras.

A loja, a que deu o nome de Maria Granel, abriu em Alvalade e atualmente conta com uma espécie de irmã mais nova em Campo de Ourique, também em Lisboa. E se a primeira é totalmente dedicada à venda a granel, com opções desde chás, a especiarias, massas, farinhas e cereais de pequeno-almoço, o segundo e mais recente espaço é também a primeira loja do país dedicada ao desperdício zero. Conta, por isso, com um piso onde os clientes encontram utensílios de cozinha feitos em bambu, detergentes para fazer refill ou sacos de pano para as compras.

Esta veia empreendedora foi agora reconhecida com o primeiro prémio Terre de Femmes, entregue pela Fundação Yves Rocher, competição que distingue ideias e negócios amigos do ambiente e sempre criados por mulheres. Eunice ganha assim um prémio no valor de 10 mil euros e vai representar Portugal no Grande Prémio Internacional, no qual concorre com os primeiros lugares dos restantes países onde existe o Prémio Terre de Femmes, nomeadamente Alemanha, França, Espanha, Itália, Marrocos, México, Suíça, Rússia, Turquia e Ucrânia, habilitando-se a ganhar mais 10 mil euros.

Na edição deste ano, além de Eunice, a Fundação distinguiu outras duas mulheres e respetivos projetos. O segundo lugar foi para a bióloga Ana Filipa Sobral, que criou o projeto Manta Catalog Azores, a primeira base de dados fotográfica de jamantas chilenas com o objetivo de preservar a espécie. Conta já com cinco mil fotografias e 58 horas de vídeo, disponibilizadas por mais de dois milhões de pessoas.

A fechar este trio de empreendedoras está Joana Benzinho, fundadora da Afetos com Letras, uma organização não governamental com atividade na Guiné-Bissau e que desenvolveu máquinas descascadoras de arroz, tarefa normalmente destinada a mulheres e meninas. Com esta industrialização da tarefa, podem dedicar-se aos estudos ou a outras atividades económicas mais vantajosas.

O Prémio existe em Portugal desde 2009 e em dez anos já distinguiu 22 mulheres, apoiando com mais de 100 mil euros projetos com impacto ambiental e social, sempre no feminino.