Recicla

Uma universidade sustentável? A de Coimbra é

A Universidade de Coimbra é a 62.ª entre as mais sustentáveis do mundo, de acordo com o University Impact Ranking, realizado pelo Times Higher Education. Mas, afinal, o que tem a instituição para estar em destaque de entre as 766 analisadas?

Esta é a segunda edição do ranking que procura medir o sucesso das universidades no cumprimento dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) propostos pela ONU para 2030. Assim, são analisados fatores como gestão das instituições, o ensino e investigações. A participar pela primeira vez neste estudo, a UC constituiu-se como a instituição portuguesa de melhor desempenho, destacando-se em diversos objetivos.

“Sendo este o único ranking mundial que avalia o esforço das instituições de ensino superior para cumprirem o desígnio de termos um mundo melhor, destacam-se especialmente as posições da UC no top 20 mundial na área da saúde e bem-estar, no top 40 na luta contra a pobreza e no top 50 na inovação, valorizando em especial o apoio e o contributo da nossa instituição ao Serviço Nacional de Saúde”, destaca o reitor, Amílcar Falcão.

Relativamente às políticas ambientais, o desempenho da universidade fá-la subir à 33.ª posição da tabela no que toca à vida marítima. Isto porque, na UC, foi criado um laboratório de ciências do mar e do ambiente, o MAREFOZ, que presta apoio a projetos relativos ao meio marinho, de que são exemplo o “ALGADEPUR”, instalado no Rio Mondego, que procura implementar um sistema de tratamento de efluentes de aquacultura com uma tecnologia amiga do ambiente; o “OtimO”, que, em prol de uma economia azul, se centra no desenvolvimento sustentável de produção de ouriços-do-mar para fins comerciais; o “ReSet”, que visa restaurar e preservar sapais estuarinos para potenciar a sustentabilidade de ecossistemas e biodiversidade; e o “CompHorta” que combate o desperdício alimentar através da gestão sustentável de resíduos orgânicos.

No que toca a medidas de sustentabilidade, a UC implementou diversas iniciativas como a substituição de utensílios descartáveis das cantinas; a reciclagem e a sensibilização de todos para esta prática, incluindo a colocação de ecopontos nas cozinhas. Opta também pela eficiência energética nas residências universitárias, tendo, para isso, instalado detetores de movimento, lâmpadas LED e mecanismos de redução dos consumos de água, eletricidade e gás. Além disso, aplica uma política contra o desperdício alimentar nas cantinas universitárias, promovendo a eficiência na utilização dos alimentos e confecionando tendo em conta as quantidades que vão ser consumidas.

Conta ainda com o programa UCPlanta para os novos estudantes:  durante o primeiro ano letivo, estes são convidados a adotar e a cuidar de uma planta do Jardim Botânico, que, posteriormente, contribui para a reflorestação de zonas devastadas por incêndios ou por tempestades.

Esta caminhada coimbrã para a sustentabilidade pode ser replicada em qualquer zona do País. Agora, que é tempo de voltar às aulas no ensino superior, aqui ficam algumas ideias.