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Vera Kolodzig: “Acho importante as crianças aprenderem a cuidar do planeta desde cedo”

A atriz Vera Kolodzig abraçou a sustentabilidade: separa as embalagens para reciclagem, faz compostagem, poupa nos consumos de recursos e procura a reutilização, o empréstimo e a troca de roupa.  Afirma que a ecologia é algo que deve “entrar pelas nossas casas” e tornar-se um hábito como qualquer outro, razão pela qual também já incute estes valores ao seu filho Mateus.

No seu projeto Podcast Kológica aborda temas diversos, entre eles a ecologia. Por que razão decidiu dar voz a este assunto?
Sim, o podcast Kológica aborda muitas temáticas. É um projeto de autoconhecimento, consciência e raciocínio positivo, e vou adicionando temas que se complementam. Para mim, seria mesmo inevitável abordar o tema da ecologia, porque está na ordem do dia e porque é preciso que entre pelas nossas casas e se torne tão normal quanto qualquer outro dos nossos hábitos. Ser ecologista é, sobretudo, sermos conscientes das nossas escolhas, pensarmos no impacto que essas podem ter e alterarmos, de alguma forma, o nosso modo de atuação, sempre em prol da preservação do planeta e de um futuro mais sustentável.

Quais são os principais hábitos sustentáveis que tem no dia a dia?
Procuro ter vários! Neste momento, a mudança mais acentuada que destaco –e que me tem ajudado mesmo muito a reduzir a minha pegada ecológica –, é a reutilização, empréstimo e troca de roupa. Comecei a olhar para a roupa de uma forma muito mais “preocupada”, porque há muito desperdício nesta indústria têxtil e percebi que, a maior parte das vezes, é perfeitamente evitável. Estou mais atenta também ao local onde são produzidas e dou prioridade a marcas nacionais. Além disso, acredito que o nosso impacto, enquanto cidadão individual, vai acabar por chegar a mais pessoas da nossa rede. Eu, por exemplo, já tenho amigas que aderiram a esta ideia e ajudamo-nos nas trocas. Não me lembro da última vez que comprei uma peça de roupa, é sinal de que estou a ser bem-sucedida nesta missão!
Além da roupa, reciclo, faço compostagem, compro alimentos a granel e em mercados biológicos e, em casa, procuro ter consumos inteligentes de recursos, água e eletricidade, por exemplo.

Há quanto tempo a reciclagem faz parte das suas rotinas diárias?
Não sei há quanto tempo, mas é um hábito do qual não prescindo. Costumo dizer, por brincadeira, que já não sei fazer lixo “baralhado”, está tão enraizado que cada embalagem já tem o seu destino e só me faz sentido assim. Também já incuti este hábito ao Mateus, porque acho mesmo importante as crianças aprenderem a cuidar do planeta desde cedo. Montei também, recentemente, um compostor em casa que me tem ajudado bastante na redução do desperdício.

Qual a importância que atribui à reciclagem?
Atribuo muita relevância e mais importante ainda é ter consciência de comprar cada vez menos embalagens, por exemplo. A reciclagem, na verdade, é o último passo da cadeia. Se pudermos tornar o ciclo de vida dos nossos produtos mais longos, reaproveitar e reutilizar estamos a dar grandes passos para a manutenção de um planeta saudável.

E neste período em casa adotou novas regras relativas ao ambiente ou sentiu necessidade de ter maiores cuidados nesse sentido?
Tenho tido cada vez mais consciência dos meus consumos. Passei a fazer com maior regularidade o aproveitamento dos alimentos quando cozinho. Ou seja, tento fazer mais vezes os caldos com as cascas dos legumes e utilizar os alimentos na sua totalidade, nada se desperdiça, aprendi a transformar. Compro os alimentos na medida certa do que vou usar durante a semana para que nada se desperdice. A aquisição do compostor tem ajudado bastante também.

Diz que tem aprendido a “ser mais ecológica” com a atriz Joana Seixas. O que mudou no seu dia a dia e o que mais lhe despertou curiosidade em aprender?
Sim, verdade. A Joana é um poço de sabedoria sobre sustentabilidade, tem largos anos de investigação pessoal nessa área e, enquanto minha amiga, acaba por trocar ideias comigo e aprendemos muito juntas. A Joana faz-nos desconstruir a ideia de que, para se ser ecológico, temos muito trabalho ou gastamos muito dinheiro. Foi ela que me incentivou a começar a comprar a granel utilizando os meus próprios recipientes de vidro.
Os nossos gestos, mesmo os mais pequenos, fazem com que reduzamos o nosso impacto nocivo para o planeta. Se todos fizerem alguma coisa, daqui a uns bons anos, respiramos todos melhor!