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Viaje até ao Tibete sem sair de Portugal

O Tibete é, genericamente, conhecido por ser o “teto do mundo” e atrai turistas que pretendem conhecer as paisagens naturais e a espiritualidade da região. O que talvez não saiba é que existe um “Tibete português”.

Mas existe. É que a aldeia portuguesa do Sistelo ganhou a fama de ser o “pequeno Tibete português”, prometendo, pelo menos, igualar em beleza paisagística.

O Sistelo encontra-se em Arcos de Valdevez, no Parque Natural da Peneda-Gerês, perto da nascente do rio Vez, e a sua paisagem envolvente parece retirada de um quadro. Foi, aliás, eleita uma das 7 Maravilhas de Portugal na categoria de Aldeia Rural  e, inclusivamente, classificada como Monumento Nacional, em 2017.

Mas porquê comparar esta aldeia ao Tibete? A analogia prende-se sobretudo com os socalcos que marcam a paisagem. Estes degraus foram construídos ao longo de gerações para contrariar a irregularidade dos solos e melhor canalizar a água até as culturas. A esta característica juntam-se as casas rústicas, os moinhos, as estradas de pedra e o gado, criando uma imagem ímpar.  

Num passeio pela localidade podem observar-se os sistemas de regadio e os canais de laje e granito que conduziam a água. Saltam também à vista as casas construídas em granito, os espigueiros, que se encontram um pouco por toda a aldeia, e os lavadouros públicos. A ponte romana, erguida sobre o rio, um moinho recuperado e a Ermida de Nossa Senhora dos Aflitos são outras paragens a não perder.

Vale ainda a pena visitar o Castelo de Sistelo, mais concretamente, a casa onde viveu o visconde da terra, que é agora um centro interpretativo, e a Igreja Matriz. 

Os passadiços do Sistelo, que têm vindo a ganhar destaque turístico, são também de incluir no programa. O caminho que conduz até lá é circular, tem apenas dois quilómetros, mas promete encantar qualquer um com a harmonia e a paisagem circundantes. 

Vá, pois, até à Aldeia de Sistelo e deixe-se encantar pela sua riqueza paisagística, mas não se esqueça: faça uma visita sustentável, não deixando lixo na natureza. Este pequeno Tibete quer-se o mais preservado possível.